cada buraco do asfalto:
pó, pele, pedestres.
goiás ancorado nas estrelas.
cachorros devotos de mendigos rupestres.
arsênico bloco de concreto erguido.
meu coração é de argamassa.
mãos reunidas em cigarros.
joelhos postos diante da batina, soluços.
o profeta vestido de sacos escuros relampeja.
meu coração é trovoada.
lá em baixo o garoto ferido tinge-se de vermelho.
os cânticos obscuros das sirenes derramam-se nas esquinas.
os degraus se sujam de homens, pombas copulam com Deus.
meu coração é eclesiástico.
pandeiros se alimentam de rimas,
meu coração embriaga-se do seu.