quarta-feira, 11 de novembro de 2009

cada buraco do asfalto:
pó, pele, pedestres.
goiás ancorado nas estrelas.
cachorros devotos de mendigos rupestres.
arsênico bloco de concreto erguido.
meu coração é de argamassa.
mãos reunidas em cigarros.
joelhos postos diante da batina, soluços.
o profeta vestido de sacos escuros relampeja.
meu coração é trovoada.
lá em baixo o garoto ferido tinge-se de vermelho.
os cânticos obscuros das sirenes derramam-se nas esquinas.
os degraus se sujam de homens, pombas copulam com Deus.
meu coração é eclesiástico.
pandeiros se alimentam de rimas,
meu coração embriaga-se do seu.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

as mãos postas em meu seio.
o leão que ruge,
o não que ecoa.
espasmos...

Crivada

para bruna
conheço teu passado obscuro
a fúria mansa de quem soube morrer.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

pretensão

- você está engraçada...
- como? - respondi com olhos vermelhos e semi-serrados - como?
- você está se procurando em todos os lugares, mas você não se encontra em nenhum.
- huhmmm, é.

sábado, 12 de setembro de 2009

solaris

não é todo dia que conversamos com o coração.

enquanto se dizia, ele me disse inteira. cada medo traduzido, cada confissão secreta, eu saindo pela voz de outra pessoa...

aquele menino sou eu.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

evasão

quando você passa o caos alinhado se retorce todo e esculpe as minhas tripas com as mãos.

corvo

olhando-a com aqueles olhos de xamã louco, olhos que enxergavam mais do que se permite suportar, ele disse: "essa menina é engraçada. ela é o caos personificado."
nem ela era capaz de se descobrir tanto